Incêndio dita o fim do vinho Permitido Branco de Centenária de Márcio Lopes
25/09/2025
O verão de 2025 trouxe uma notícia triste para o grupo Márcio Lopes Winemaker: o fim inesperado do Permitido Branco de Centenária, um vinho ímpar no portefólio do produtor.
Um dos anos mais devastadores em termos de incêndios florestais em Portugal ditou o adeus forçado à vinha centenária localizada em Mêda, no Douro Superior, que dava origem a este Branco de Altitude de identidade única. Apesar dos esforços imediatos, a perda é irreversível.
O trabalho de recuperação da vinha já está em curso, no rescaldo dos incêndios de agosto, mas fica para a história a singularidade do Permitido Branco de Centenária, criado a partir de 15 castas de vinhas plantadas a 800 metros de altitude, em solo puramente granítico, no final do século XIX.
A colheita de 2022 já está a chegar ao mercado, antecedendo as derradeiras colheitas - de 2023 e 2024 -, todas em número muito limitado de garrafas, permitindo aos apreciadores guardar as últimas memórias deste vinho excecional.
“É uma notícia muito triste. O Permitido Branco de Centenária foi um vinho extraordinariamente bem recebido pela crítica. Apesar da perda, compensámos o viticultor face à longa ligação que mantém com o nosso projeto, respeitando o nosso compromisso de fairtrade. Já estamos a trabalhar na recuperação, permanecendo vivas as memórias deste vinho e, com elas, a certeza de que iremos escrever novas histórias”, salienta Márcio Lopes.
Apesar deste revés, o verão de 2025 trouxe resultados positivos e confirmações importantes, com altas pontuações de críticos nacionais e internacionais para várias referências do produtor experimentalista. O espírito inovador e a motivação de Márcio Lopes, um dos maiores especialistas portugueses em vinhas velhas, permanecem inalterados.
O reconhecimento mais recente chega pela equipa de James Suckling, com natural destaque para os 95 pontos atribuídos ao Pequenos Rebentos Vinhas Velhas 2023, o Loureiro mais bem pontuado de sempre no ranking do conceituado crítico de vinhos internacional, elaborado a partir de uma vinha plantada em 1989, na sub-região do Cávado.
Outra referência da marca Pequenos Rebentos, esta da sub-região de Monção e Melgaço, atingiu igualmente o patamar dos 95 pontos na escala de classificação de James Suckling: o Viagem ao Princípio do Mundo 2021, um 100% Alvarinho que teve produção limitada a 1000 garrafas.
“Recebemos com enorme satisfação e sentido de responsabilidade o reconhecimento de críticos nacionais e internacionais. Tivemos agora estas pontuações altas dos nossos Vinhos Verdes na escala do James Suckling e em julho, por exemplo, destacaram-se dois do Douro - o Proibido Vinha Velha do Pombal 2022 (96 pontos) e o Proibido Garrafeira 2017 (95 pontos) - nas pontuações da Wine Advocate, de Robert Parker. Temos de manter este nível de exigência e excelência”, conclui Márcio Lopes.
Sobre Márcio Lopes Winemaker
O projeto Márcio Lopes Winemaker surgiu em 2010, com a missão de “fazer vinhos especiais que façam sobressair o melhor que a natureza tem para dar”. O produtor detém atualmente a Adega Pequenos Rebentos em Melgaço (na região dos Vinhos Verdes), a Quinta do Pombal em Vila Nova de Foz Côa e a Quinta do Malhô em São João da Pesqueira (ambas na região do Douro), exportando vinhos para mais de 20 países.
O CEO e enólogo do grupo trabalha igualmente com as uvas de viticultores selecionados, focando-se em preservar vinhas velhas com respeito pelos sistemas antigos de vinha e maioritariamente sem o uso de herbicidas e pesticidas. Na adega, recorre normalmente a leveduras indígenas e usa baixos aditivos de sulfuroso.
Márcio Lopes foi distinguido como Enólogo Revelação do Ano 2019 pela Revista de Vinhos – A Essência do Vinho, recebendo o Prémio de Singularidade 2019 da Revista Grandes Escolhas e o prémio Tradição e Identidade de 2022 da revista Paixão pelo Vinho. O Proibido Grande Reserva 2017 surgiu no Top 100 Wine Discoveries 2020 da Wine Advocate, de Robert Parker.
