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Projeto de Cabeceiras de Basto assinala uma década de atividade e de colaboração com o enólogo Márcio Lopes, preparando o lançamento do seu primeiro espumante
A Casa do Barroso celebrou, a 10 de junho, uma década de atividade, assinalando um percurso marcado pela recuperação de um património familiar com quase três séculos de história, pela afirmação da Sub-região de Basto, situada no extremo oriental da Região Demarcada dos Vinhos Verdes, e pela aposta consistente na casta Alvarinho, que tem sido o eixo central da produção da casa.
Num território distante dos locais que tradicionalmente projetaram o Alvarinho para o reconhecimento nacional e internacional, o produtor tem procurado revelar uma expressão distinta da casta, moldada pelas condições singulares da Sub-região de Basto.
Situado no lugar de Cunhas, na União de Freguesias de Gondiães e Vilar de Cunhas, o projeto nasceu da vontade da família Barroso de recuperar uma propriedade histórica, datada de 1730, e devolver-lhe a relevância que teve ao longo de gerações. O processo de reabilitação possibilitou a recuperação integral da propriedade, preservando a sua traça original e respeitando os materiais e a arquitetura tradicional da região.
Paralelamente à recuperação dos edifícios, foram também reestruturadas vinhas e recuperados terrenos agrícolas que se encontravam abandonados ou subaproveitados. Atualmente, a exploração integra 6,2 hectares de vinha distribuídos por diferentes zonas do concelho de Cabeceiras de Basto.
No centro desta história está Agostinho Barroso, patriarca da família e principal inspiração para a recuperação da propriedade. Aos 89 anos, continua a acompanhar de perto a evolução de um projeto que representa a continuidade de uma ligação à terra construída ao longo de várias gerações.
“A Casa do Barroso representa muito mais do que um projeto de vinho. É a continuação de uma história familiar construída ao longo de várias gerações e a concretização da vontade de preservar um património que faz parte da identidade da nossa família e desta região. Recuperar a propriedade, devolver-lhe vida e afirmar o potencial de Basto através dos nossos vinhos foi sempre a grande motivação deste projeto”, afirma Jorge Barroso, filho de Agostinho e principal dinamizador do projeto.
A primeira vindima realizou-se em 2016, dando início a um trabalho que procurou desde o primeiro momento compreender e revelar a expressão do Alvarinho num território distinto daquele onde a casta construiu a sua notoriedade histórica. Ao longo deste percurso, Jorge Barroso conciliou o desenvolvimento da Casa do Barroso com a sua atividade profissional como enfermeiro no Hospital de Santo António, no Porto, onde trabalha há mais de três décadas.
Ao lado de Jorge Barroso esteve desde cedo o enólogo Márcio Lopes, numa parceria que se tornou um dos pilares do projeto e que permitiu construir uma identidade própria para os vinhos da Casa do Barroso.
“O que mais me entusiasmou neste projeto foi a oportunidade de explorar uma interpretação diferente do Alvarinho. Em Basto encontramos condições muito particulares, que se traduzem em vinhos de grande frescura, precisão e capacidade de evolução. Ao longo destes anos procurámos respeitar o território e criar vinhos que refletissem de forma autêntica a sua origem, sem compromissos nem fórmulas pré-definidas”, sublinha Márcio Lopes.
A gama da Casa do Barroso integra atualmente quatro referências: Casa do Barroso Alvarinho Reserva, Casa do Barroso Alvarinho Barrica, Casa do Barroso Alvarinho Estágio Prolongado e Casa do Barroso Rosé, produzido a partir da casta Padeiro, uma das variedades históricas mais emblemáticas da região.
O ano de 2026 marca igualmente um novo capítulo na evolução do projeto, com o lançamento do primeiro espumante do produtor, previsto para o verão. Este vinho surge como consequência natural do trabalho desenvolvido ao longo da última década e da crescente confiança nas potencialidades da Sub-região de Basto.
A consistência do projeto tem sido acompanhada por um reconhecimento crescente por parte da crítica especializada. Em abril de 2026, a Wine Advocate distinguiu o Casa do Barroso Alvarinho Reserva 2021 com 93 pontos e o Casa do Barroso Alvarinho Estágio Prolongado IV com 91 pontos. Já no início do mesmo ano, a Casa do Barroso integrou a seleção “A Próxima Geração de Produtores Portugueses - Norte”, uma iniciativa promovida pelo projeto Wine & Stuff que distingue produtores emergentes com forte identidade, visão e ligação ao território.
Dez anos após a primeira vindima, o produtor continua a afirmar uma visão assente na autenticidade, na valorização do património familiar e na convicção de que a Sub-região de Basto possui condições únicas para produzir vinhos capazes de ocupar um lugar de destaque entre os grandes vinhos portugueses.
Um percurso que une três gerações da família Barroso: da herança partilhada por Agostinho Barroso, à visão concretizada pelo filho Jorge Barroso e à crescente proximidade dos netos, Afonso e João Barroso, que começam a acompanhar mais de perto a evolução do projeto e representam a continuidade da história da Casa do Barroso para o futuro.